SACERDOTE: homem da Palavra



Existe um vínculo fundamental entre a figura do padre com as Escrituras Sagradas. Ambas as realidades constituem-se como manifestação e concretização do supremo amor de Deus pelos homens e sua inesgotável fidelidade. Neste sentido, a razão de ser tanto do sacerdote quanto das Sagradas Letras está radicada no desejo de Deus de salvar o seu povo, os seus eleitos. A Palavra de Deus não é algo estático, ou letras mortas, mas é uma Pessoa, Jesus Cristo, e o padre é chamado a ser no hoje da história o homem da Palavra, porque é antes de tudo o homem de Cristo, o homem que deseja constantemente e ardentemente se configurar ao divino Mestre, deixando ser podado e alimentado por ele, e, assim, ao adentrar nas mais diversas realidades humanas, levar a salvação.


Se olharmos com atenção para a história da salvação podemos perceber que a Sagrada Escritura não é um livro qualquer, muito menos uma obra que nasceu pronta e foi entregue por Deus aos homens de modo imediato. Adotar este tipo de pensamento é limitar a ação genuína de Deus, é desconsiderar a existência de um fio condutor, isto é, uma economia salvífica segundo a qual o Senhor com o coração transbordante de amor pelos homens se decide por tecer uma história com eles. As Escrituras nascem como fruto desta história de amor cujas marcas características são a Eleição e a Aliança. Mais do que delimitação territorial, Israel passa a ser propriedade do Senhor, um povo separado não ao modo de escravos de um rei perverso, mas de homens que foram agraciados com o caminho da sua plena realização. Só quem responde ao chamado de Deus com inteireza é capaz adentrar de modo eficaz na via de acesso a Felicidade.


Neste sentido, aqueles que optaram por esta via, mesmo diante das inúmeras dificuldades, contrariedades, medos e incertezas não se deixaram derrubar, ou voltar-se completamente contra o Senhor porque foram marcados de tal modo pela experiência com o Deus único, vivo e verdadeiro que isto mudou completamente o seu modo de enxergar a sua realidade circundante. Assim, a perspectiva que passa a mover este povo é a fé, a confiança total neste Deus que tudo provê para sustentar e Salvar.


Na perspectiva da providência, podemos ver ao longo do tempo, a presença de homens eleitos entre os eleitos para conduzi-los, guiá-los, guardá-los na fé. Homens divinamente marcados pelo ardor do Senhor, escolhidos e chamados para levar a bom termo os seus desígnios eternos. Assim, nessa linha ininterrupta temos homens como Abraão, os profetas, sábios sacerdotes, que foram passando dia após dia a mensagem dessa experiência com Deus, o que, posteriormente, pouco a pouco, muitas delas foram sendo postas por escrito.


Com a vinda de Cristo, plenitude da salvação, vemos esta mesma dinâmica da eleição. Cristo escolhe os doze para anunciar com a vida o Reino de Deus. Assim, a santa Igreja, fundada sobre Pedro, foi se estabelecendo, e os eleitos foram deixando os seus sucessores e colaboradores, responsáveis por guardarem com fidelidade e integralidade o depósito da fé, e ser na terra esse sinal e ponte para Cristo.


Portanto a Sagrada Escritura, chegou até nós como consequência de uma eleição, de uma aliança de amor, um longo e grandioso processo que reflete em todos os detalhes a infinita graça de Deus. Desta forma, o padre enquanto colaborador dos sucessores dos Apóstolos está inexoravelmente ligado a Palavra de Deus, pois foi por ela feito, por ela chamado, e por ela vive e obra. Posto isto, o padre, homem da Palavra, é chamado a ser na humanidade, o homem da eternidade, uma vez que a Palavra de Deus tudo abarca, a tudo supera e realiza integralmente o que significa.



Francisco Évison Isaías Lopes


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