Questionar o aborto em tempos de pandemia

Por Padre Marcus Vinicius Brito de Macedo



Voltamos ao tempo de Herodes: o direito à vida é visto como um direito a mais e não como um direito anterior a todos os demais, isto é, sobre o qual todos os outros se sustentam.


Infelizmente o juízo “moral” de ideologias, políticas e magnas cartas constitucionais não circunscrevem com obviedade a natural tutela pela vida.

Voltar ao STF a possibilidade de legalização do aborto mostra que estamos diante de um dos maiores dramas morais de nossa sociedade, enquanto observamos estupefatos o aumento de mortes pela COVID-19. Hoje, enquanto acompanhamos a dor de muitos que perdem seus entes em plena pandemia (sem o mínimo direito de uma despedida), a Suprema Corte desta nação votará o mais elemental dos direitos: o direito à vida! Quanta contradição ou eufemismo com o aborto. É PRECISO PENSAR QUE DIREITO AO ABORTO É DIREITO A MATAR!


Qual será o grande problema destas políticas, ideologias ou insistência na luta pela legalização do aborto? Arrisco dizer que é a idolatria do desejo subjetivo de cada cidadão, isto é, um feto muitas vezes é defendido como a manipulação do barro ou da argila. Não aceito, então descarto - lamentável!


A realidade da dignidade humana sempre é colocada em subordinação ao desejo daqueles que se julgam tão dignos. A vida humana só é válida segundo as aspirações e conceitos de “normalidade”. Será se vivemos numa sociedade tão normalmente humana?


Costumam dizer que o aborto não deve ser discutido com parâmetros ou argumentos religiosos, talvez estejam certos, mas as susceptibilidades se ferem tanto, e não conseguem dissimular que a ideologia do desejo é o dogma da irracionalidade presente ao defender uma cultura de morte.

Recordo ao grande Mandela que passou 26 anos encarcerado para provar que negros e brancos possuíam os mesmos direitos. Pergunto-me: quantos anos ainda levaremos para mostrar à sociedade que uma criança no ventre de sua mãe (seja qual for a circunstância) possui a mesma dignidade daquela que nos ensina, com sua espontaneidade, a arte de vivermos a beleza da vida que só tem sentido se TODOS podem VER a luz, porque são amados como pessoas e não como “coisa”.

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