Qual o sentido da vida?

Atualizado: 8 de Nov de 2019



Qual o sentido da vida? Eis a pergunta do homem de todos os tempos. E hoje, de um modo especial, vemos muitas pessoas com tendência ao suicídio, pois não têm mais alegria de viver, a vida perdeu o sentido ou, talvez (esse sentido), nunca foi encontrado. E quando tudo parece não ter cor, o que fazer? Para onde ir quando tudo parece que perdeu seu brilho?


Antes de continuar, quero, aqui, dar dois conceitos para a palavra vida:


1° O indivíduo que existe realmente, com seu corpo (material) e o princípio que o anima (alma espiritual); e todo o funcionamento: o coração que bate, os órgãos que funcionam (...).

2° O conjunto, a série, a sucessão de acontecimentos que o envolve. O contexto no qual está inserido (no espaço e no tempo). A existência dos outros que o influencia.

Também é relevante dar o conceito da palavra sentido: que é o significado, a causa (o que causou), a razão, o motivo, o porquê de alguma coisa (...).


Se formos honestos o bastante, veremos que tudo requer um sentido. Em tudo que acontece, em todos os fenômenos, nós buscamos o porquê: por que o céu é azul? Por que os planetas giram em torno do sol? (...), e a ciência vai dando as causas de todo isso. Esse é o mundo da ciência: conhecer as coisas por suas causas. Também no campo moral: o que levou tal pessoa a tal comportamento? por que um homem feriu o outro? Por que um pai matou o filho? (...), e a psicologia vai dando as respostas (...). A filosofia, por sua vez, nasce do espanto, o homem fica admirado com os fenômenos da natureza e começa a buscar a causa primeira de tudo que há. Aos poucos vamos percebendo que tudo requer um sentido, nada está onde está por um acaso, o acaso não pode formar coisas tão complexas como o universo, e de um modo especial, falo aqui, o ser humano. O acaso não pode ser a explicação de tudo.


Tendo dado o conceito de sentido e vida, agora posso fazer a pergunta que não quer calar: qual é o sentido da vida?


A vida não pode ser fruto do acaso, se assim fosse não teria sentido, e como já foi dito antes "tudo requer um sentido"; assim já começamos descartando a ideia de que somos obra do acaso. Se não somos fruto do acaso, então, resta-nos dizer que Deus é a nossa causa. Tendo em vista que não é o homem quem deseja a si mesmo, quem quer a si mesmo, quem cria a si mesmo, quem escolhe vir à existência. Alguém pensou no homem, quis o homem, desejou o homem, chamou o homem à existência. Sendo assim, a razão da existência humana não está no homem, mas em Deus.


Para que uma pessoa exista é necessária a união de homem e de uma mulher, mesmo assim a vida não depende deles, pois tudo acontece num processo natural, eles não decidem, por exemplo, a cor da pele, o sexo, se virá ou não com algum problema (...), sem falar que, por diversos fatores, essa vida pode não chegar a nascer, o bebê pode morrer ainda na barriga da mãe, durante a gestação. Os pais não podem, nalguns casos, impedir a morte da criança, pois está fora da capacidade deles.


A existência do homem não dá sentido à sua vida. A existência do outro, e do universo, também não. O sentido da vida do homem não está nesta vida (a pessoa e o espaço-tempo no qual está inserido), pois nada pode responder às suas questões, aos seus “porquês”. A razão da nossa existência não está em nada e nem em ninguém deste mundo.


Algumas pessoas falam de modo equivocado: minha família é minha vida, minha esposa é minha vida, meus filhos são minha vida, minha namorada é minha vida, minha cidade é minha vida, minha casa é minha vida..., dizer que uma coisa ou pessoa é nossa vida significa que é algo tão importante, que é o que dá sentido a nossa vida, é o que nos motiva a viver. Está errado, pois tudo passa! E por mais que todas essas coisas sejam importantes, não nos esqueçamos que tudo pode ser perdido, quebrado, roubado, ficar velho, as pessoas podem adoecer e morrer..., pois nem sempre as coisas estão sob o nosso controle. As tragédias são ótimos exemplos para sabermos que não temos o domínio das coisas.


Já dizia Santa Terezinha: “Num instante compreendi o que era vida; até então eu não a tinha visto tão triste, mas ela me apareceu em toda a sua realidade, vi que ela não era senão sofrimento e separação contínua.”

Humanamente falando, racionalmente falando, a vida não tem sentido, pois, depois de tanto sofrimento e dor, vamos morrer. Mas Deus se receba a nós e mostra-nos o sentido da nossa existência. Quando aparece a Moisés, Ele diz: EU SOU (cf. Ex 3, 14). E se Deus É, nós só somos porque Ele é. Nós existimos porque Ele É. Pois Ele tudo pode, tudo sabe, e está sustentando a existência de todas as coisas. Inclusive, está errado dizer que “Deus existe”, pois este é um atributo próprio das criaturas. A palavra existir significa que algo não era e passou a ser, com Deus não é assim. Ele não surgiu nem passou a ser, Ele É.


Muitas pessoas cometem o suicídio porque perderam alegria de viver, perderam, ou nunca encontraram, o sentido, perderam a esperança. Essas pessoas precisam crer que foi Deus quem nos quis, desejou, criou, chamou à existência, soprou em nós o vento da vida (cf. Gn 2, 7) e só n'Ele encontraremos a alegria, o sentido e a esperança para viver. Não nos pertencemos, somos de Deus. A vida é um dom dado por Deus. Por isso ninguém tem o direito de decidir quem vai viver ou morrer, ninguém tem o direito de matar o outro, ninguém tem o direito de decidir se suicidar, pois se a pessoa não escolheu existir também não pode escolher deixar de existir. Se a pessoa não pode dar a si mesma nem ao outro o sopro vida, logo, também pode tirá-la.


Quando o povo de Israel vivia na escravidão, no tormento, na dor, na angústia, Deus, a razão de ser de todas as criaturas, diz: “Eu ouvi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa de seus opressores; pois eu conheço as suas angústias.” (Ex 3, 7). Deus conhece as nossas angústias, e só ele pode dar as respostas às questões humanas mais profundas: por que eu existo? Por que eu sofro? Por que tanta dor? (...), essas respostas nem a ciência nem a filosofia podem dar, só Deus é a resposta. Só em Deus encontraremos o sentido da nossa existência, por isso devemos busca-lo com todas as forças do nosso ser.


E quando a vida parece não ter mais cor nem sabor, quando parece que não se tem um motivo para viver. O que fazer?! Neste momento precisamos lembrar às palavras do Apóstolo:


“Quando Cristo, nossa vida, se manifestar, então nós também com ele seremos manifestados em glória." (Cl 3, 4).

Agora podemos dizer, sem medo, Cristo é a nossa vida, pois nossa vida só tem sentido por causa da Vida dele. Ele quer nos dá Sua vida, a Vida Eterna. Mas ela só nos será manifestada se formos fiéis a Ele, buscando-o com todas as forças. Então, sem dor nem sofrimento, seremos manifestados, com Ele, em Glória, e para sempre.



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