Por que comemorar e rezar pelos mortos?

Atualizado: 13 de Abr de 2020


Muitos se perguntam de o porquê comemorar os fiéis defuntos e de onde vem este costume. É preciso retomar a história para vermos que desde o século II já se tem relatos de cristãos rezando pelos seus falecidos e fazendo homenagens nos túmulos dos mártires. No século V a Igreja percebeu que muitos mortos tinham caído no esquecimento e não eram mais lembrados, por isso obrigou que um dia no ano se rezasse por todos os fiéis defuntos. Somente no século XIII se estabeleceu o dia 2 de novembro como data fixa de comemoração dos fiéis defuntos.


É uma comemoração e também um dia de oração. Não é apenas um, nem outro, mas os dois. É uma comemoração porque celebramos a passagem de nossos fiéis deste mundo para uma vida em plenitude. Nossos mortos não estão mortos, estão vivos junto de Deus. Assim nos ensina o livro da Sabedoria: “os justos, os que perseveram na fé, não morrem” (Sb 2,23). E continua,

“Os justos vivem para sempre, recebem do Senhor sua recompensa, cuida deles o Altíssimo. Receberão a magnífica coroa real, e das mãos do Senhor, o diadema da beleza. ” (Sb 5, 15-16).

Mas há também aqueles que embora tenham cruzado o limiar deste mundo ainda não gozam da eterna alegria. Por estes devemos rezar.


A fé nos faz crê que muitos, mesmo manchados e imperfeitos, não se distanciaram totalmente de Deus, mas morreram com algum pecado, por ele esquecido, não confessado ou não plenamente contrito e precisam ser purificados. Portanto há pecados que são perdoados aqui e outros o são na eternidade, como diz o apostolo: a obra de cada um, qual seja, o fogo a provará e aquele cuja obra arder ao fogo, sofrerá; mas ele será salvo, porém, como quem o é através do fogo (I Cor 3, 13 e 15). Este, “porém através do fogo”, que as purificará. É o que a doutrina católica sempre denominou Purgatório.


O catecismo da Igreja católica nos ensina que “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, afim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do Céu. ” (CEC 1030).

Também a Igreja sempre nos ensinou que aos mortos que devem ser purificados, muito ajudam os sufrágios, preces e sacrifícios dos irmãos vivos, visto o imenso tesouro da chamada “comunhão dos santos”.

Como nos revela o 1º Livro dos Macabeus 12, 38-45: “É, pois, santo e salutar orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados. ”


O dia de finados é um dia de festa, oração e de lembrança. De lembrarmos dos que já partiram e de meditar sobre os brevíssimos. Não podemos esquecer que a realidade da morte é algo que está também para nós. Vamos ao cemitério depositemos velas acesas, e flores embelezando as sepulturas. Isto tudo nos faz recordar a alegria do céu e o carinho e a saudade sentidos pela pessoa falecida, além da própria realidade passageira de nossa existência terrena.


Como cristãos, cabe-nos rezar pelos que já partiram deste mundo, se alegrar por esta passagem na certeza que estão vivos. Não numa outra vida, pois a vida é uma só. Mas é muito importante lembrar de suas fragilidades e com nossas preces e sacrifícios oferecer-lhe um tributo para que sobre eles resplandeça para sempre a luz do Cristo que os vocacionou a felicidade eterna através do Batismo.

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