Os apóstolos iam à Missa?

Atualizado: 13 de Nov de 2019

A Missa entrou no mundo com a Última Ceia de Cristo!

Todos sabemos que a Santa Missa foi instituída quando Cristo, “na noite da traição, tomou o pão nas suas santas e veneráveis mãos e, levantando os olhos para o céu, deu graças, abençoou-o, partiu-o e o deu aos seus discípulos: ‘tomai e comei todos vós, porque este é o meu corpo’. A seguir, depois de ter ceado, tomou nas suas santas e veneráveis mãos também este maravilhoso cálice e, depois, de ter dado graças, abençoou-o e o deu aos seus discípulos dizendo: ‘tomai e bebei todos vós, porque este é o cálice do meu sangue, (que é sangue) da nova e eterna Aliança – mistério da fé – que é derramado por vós e por todos, para a remissão dos pecados. Toda vez que fizerdes isso, o fareis em memória de mim’”. Mas, e depois disso: os apóstolos continuaram a repetir este gesto ritual de Jesus?


As grandes linhas da celebração eucarística permaneceram as mesmas até os dias atuais.

É evidente que a liturgia da missa passou por todo um processo de evolução histórica até chegar ao modelo atual. Todavia, apesar disso, seu rito não deixou de ser aquele que Cristo quis, de tal modo que a Igreja sempre teve convicção da presença real do corpo, sangue, alma e divindade de Cristo na Eucaristia. Isto pode ser verificado desde o NT e fica claramente evidenciado naquelas práticas litúrgicas que a ele se sucederam, que deram corpo às grandes linhas da celebração eucarística e que permaneceram as mesmas até os dias atuais nas grandes famílias litúrgicas.


No contexto da época apostólica, a Eucaristia era chamada de "Fração do Pão”, “Partilha do Pão" (Lc 24,30-35; 1 Cor 10,16; At 2,42.46; 20,7.11; 27,35) ou "Ceia do Senhor" (1 Cor 11,20-33). Era celebrada junto com uma refeição, especialmente nas comunidades de origem judaica, onde não comportava necessariamente um ritual de leituras e cantos, que normalmente ainda era feito no templo e nas sinagogas. Nas comunidades de cristãos gentios, passou, desde muito cedo, a ser acompanhada por um ritual de leituras, sermões e orações.


Notem: desde essa época, ela já era considerada um rito religioso próprio, que distinguia os primeiros cristãos (em sua grande maioria oriundos do judaísmo) do restante dos judeus. Temos, assim, desde o NT, alguns indícios de uma primeira celebração pascal, realizada em âmbito familiar (At 2,46; 20,7), no qual se partia o pão, se abençoava o vinho" (1 Cor 10,16; 11,23) e que já possuía o tríplice significado Memorial, Sacrifical e Eclesial.


Desde a época apostólica, a eucaristia já era considerada um rito religioso próprio, que distinguia os primeiros cristãos (em sua grande maioria oriundos do judaísmo) do restante dos judeus.

Sua celebração era semanal, sendo realizada aos domingos (At 20,7; Did. XIV), durante uma "eucaristia" (1 Cor 11,24; Mt 26,27; Mc 14,20; Lc 22,19.19; At 27,35), isto é, numa fórmula de agradecimento derivado do uso judaico cotidiano e que os cristãos de então se serviam, incluindo a narração da última ceia e as palavras de Cristo, unicamente na refeição ritual. Podemos, portanto, afirmar que os apóstolos e seus colaboradores participavam da Eucaristia, como primeiros responsáveis tanto por sua presidência, como por sua manutenção nos moldes desejados por Jesus (1 Cor 11,23ss).


Referências bibliográficas:


MARSILI, S. Sinais do mistério de Cristo: teologia litúrgica dos sacramentos, espiritualidade e ano litúrgico. São Paulo: Paulinas. 2010

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