Onde está Deus em tempos de Coronavírus?



Há semanas temos vivido dias sombrios. O misto de medo e incerteza tem gerado uma série de preocupações que conduzem muitos a dúvidas e perda da esperança. São milhões confinados em suas casas recebendo diariamente um bombardeio de informações por vezes desoladoras.


Neste tempo em que o vírus se prolifera abreviando vidas e causando dores em familiares e amigos as perguntas que mais tenho recebido, seja por redes sociais ou ao cruzar uma praça são as seguintes.

Onde está Deus quando os seus filhos sofrem? Por que Ele permite estas coisas?

Poderíamos simplesmente responder esta questão com as palavras de Santo Agostinho quando diz que “Deus só permite o mal se desse mal ele tirar um bem muito maior”, mas com ela se nos ia aparecer outras tantas questões sem resposta. Não digo que ela não seja o suficiente, mas talvez porque queiramos colocar todo o mistério de Deus, ou da iniquidade, dentro de nossa cabeça.


O filósofo Voltaire usava como bandeira do ateísmo o terremoto de Lisboa de 1755, em que num domingo radioso enquanto milhares de fiéis oravam em igrejas lotadas, um terrível terremoto as fez desabar matando milhares. “Se Deus sabia, por que permitiu?” bradava o iluminista em um poema, transformando o sismo numa negação do Criador.


A essa questão podemos também nós nos perguntar: por acaso, um Deus que coubesse em nossa cabeça, limitado a nossa razão, seria divino? este ser restrito, reduzido as conclusões humanas poderia ser adorado? e a resposta é não. Para ser Deus, de verdade, Ele precisa ser muito maior que nossas limitações. Esse deus de Voltaire não é um deus verdadeiro, pois é condicionado nossa racionalidade, um deusinho que cabe na cabeça humana.


Nós cremos na infinita bondade de Deus e aceitamos que o mal embora não estando no seu projeto, se Ele o permite, é porque do mal pode tirar um bem maior.

Ele permite o mal na sua providência, pois quer tirar um bem ainda maior dessa paciência de permitir que o mal cresça lado a lado com o trigo.


A explicação é olhar para a cruz de Cristo onde todas as nossas dúvidas se quebram e nossa razão se dobra. É diante da cruz do verdadeiro Deus poderoso, providente e bondoso que compreendemos o Seu plano. Ela é a demonstração perfeita de que Deus não nos deixa a mercê do mal, mas vem nos salvar.


Robert Cheaib no livro: além da morte de Deus se faz a seguinte pergunta:

"onde está Deus na dor? E responde: Deus está na dor.” Está na dor inocente. É na convicção obstinada de que o mal não é a condição de normalidade, pois somos feitos para o bem. Deus está no bem que fazemos... “Na dor Deus está presente na rebeldia ao mal, na iniciativa dos bons. no coração do mal, Deus é a revolta do bem.”

Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento. Deus não manipula a criação eliminando antecipadamente o mal, não elimina o joio antes da colheita final, mas vence o mal com o bem que os seus eleitos operam.

Não há completa ausência, Deus se manifesta de forma poderosa na vida de quem O invoca. Não é à toa que a esperança, mesmo em meio ao caos, é um dos traços mais fascinantes da humanidade.

Neste tempo, não esqueçamos de que Deus não vence a Cruz, mas vence na Cruz.

Elevemos a Ele a nossa oração pedindo-o que venha ao nosso encontro, perdoe os nossos pecados e abençoe, a nossa vida, família e trabalhos.

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