O BATISMO DE ÁGUA E O BATISMO DE SANGUE

O objetivo do batismo de Jesus foi o mesmo do nascimento, a saber, identificar-se com a humanidade pecadora. [...] Havia três ritos no Antigo Testamento que eram uma espécie de batismo. O primeiro era um "batismo" de água. Moisés levou Aarão e seu filho ás portas do tabernáculo e os banhou com água. Isso foi seguido por um "batismo" de óleo quando Moisés derramou óleo sobre a cabeça de Aarão para santificá-lo. O "batismo" final foi de sangue. Moisés tomou o sangue do cordeiro da consagração e derramou sobre o ouvido direito de Aarão, sobre o polegar da mão direita e sobre o dedão de seu pé direito.

Esse ritual seria uma consagração gradual. Esses batismos teriam a contrapartida no Jordão, na Transfiguração e no Calvário.

O batismo no Jordão foi o prelúdio do batismo que mencionaria depois, o batismo da Paixão. [...] Nas águas do Jordão, identificou-se com os pecadores, no batismo de Sua morte, suportaria todo o peso dos pecados. [...] A cruz deveria estar vindo ao pensamento, agora, com vivacidade cada vez maior. Não havia uma reflexão posterior em seu pensar. Esteve temporariamente imerso nas águas do Jordão apenas para emergir de novo. Da mesma maneira, seria imerso pela morte na cruz e o enterro no sepulcro apenas para emergir triunfante na ressurreição.

A humanidade sagrada de Cristo era o elo entre o céu e a terra.

O Cristo que saiu das águas, como a terra saiu da água na criação e depois do dilúvio, como Moisés e seu povo saíram do Mar Vermelho, foi agora glorificado pelo Espírito Santo aparecendo na forma de uma pomba. O Espírito de Deus nunca aparece na forma de uma pomba em nenhum outro lugar a não ser aqui. O Livro do Levítico menciona oferendas que eram feitas segundo a posição econômica e social do doador. Quando a mãe de Nosso Senhor o levou ao templo, sua oferta foi uma pomba. A pomba era símbolo da gentileza e da paz, mas, sobretudo, era o tipo de sacrifício possível para as pessoas mais pobres. Sempre que um hebreu pensava em um cordeiro ou uma pomba, imediatamente pensava em um sacrifício pelo pecado. Assim, o Espírito descendo sobre Nosso Senhor foi para eles um símbolo de submissão ao sacrifício. Cristo já tinha se unido, simbolicamente, ao homem no batismo, mas, agora, também foi coroado, dedicado e consagrado àquele sacrifício pela vinda do Espírito. As águas do Jordão uniram aos homens, o Espírito coroou e o consagrou ao sacrifício, a voz atestou que o Seu sacrifício seria agradável ao Pai Eterno. O Espírito O ungiria não só para ensinar, mas para redimir.

(Fragmentos do livro: Vida de Cristo, Vol. I. de Fulton Sheen)

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