Nascemos e Jamais Morremos

Atualizado: 13 de Abr de 2020

A história da Serva de Deus Chiara Corbella Petrillo


Hoje vamos falar de uma jovem que viveu no nosso tempo. Seu nome é Chiara, uma mulher que foi para o céu no dia 13 de junho de 2012. Tinha 28 anos e era a esposa de Enrico Petrillo. Um casal normal, contemporâneo a nós, muito simples. Que cresceu ao redor de uma paroquia se alimentando da Eucaristia e que participava das JMJs.


Chiara Corbella nasceu em Roma dia 9 de janeiro de 1984. Cresceu, juntamente com sua irmã Elisa, dois anos mais velha, numa família que, desde criança, a iniciou na fé cristã. Desde os cinco anos de idade, graças à mãe Maria Anselma, Chiara frequentou a comunidade. Neste ambiente, ela aprendeu a relacionar-se com Jesus como a um amigo e a compartilhar a fé com os irmãos quais caminhavam ao seu lado. Com o passar dos anos, surgiu nela uma certa autonomia, que a tornou muito determinada em suas escolhas. O seu temperamento desde sempre era muito calmo e gostava da entrega do serviço aos outros.


No verão de 2002, Chiara estava de férias na Croácia com alguns colegas de escola. Já que sua irmã estava em Medjugorje (na Bósnia), ela então planejou ir visitá-la aproveitando da sua proximidade. Aqui, dia 2 de agosto Chiara encontrou Enrico Petrillo, um jovem romano de 23 anos que estava em peregrinação com sua comunidade de oração da Renovação Carismática. Chiara, que tinha dezoito anos e nunca, até então, havia namorado com ninguém, intuiu que aquele jovem podia ser seu futuro marido.


De volta à Roma, os dois encontraram-se novamente, aprofundaram o relacionamento e iniciaram o namoro. Tratou-se de uma relação normal, pontuada por brigas, rupturas e pacificações. Durante os seis anos de namoro, o Senhor colocou à prova a fé de Chiara e os valores em que ela acreditava. Ao ponto que ela falou a respeito deste período, como o mais difícil que ela havia enfrentado, ainda mais difícil do que a doença.


« Depois de 4 anos, nosso namoro começou a tropeçar até que nos separamos – escreveu Chiara em suas anotações – Naqueles momentos de sofrimento e rebelião contra o Senhor, porque eu achava que Ele não escutasse minhas orações, participei de um Curso vocacional em Assis e ali encontrei novamente a força para acreditar Nele, tentei recomeçar o namoro, acompanhada por um padre espiritual. Apesar disso, o namoro não funcionou até que eu não entendi que o Senhor nada estava tirando de mim, mas estava dando-me tudo: só Ele sabia com quem eu tinha que dividir minha vida e talvez eu ainda não tinha entendido tudo! ».


Superados os medos, Chiara e Enrico se casaram em Assis no dia 21 de setembro de 2008. Quem celebrou o casamento foi o padre Vito, frade menor e guia espiritual deles. Retornando de sua lua de mel, Chiara descobriu que estava grávida. No entanto, o ultrassom mostrou uma grave malformação. A criança, à qual foi dado o nome de Maria Grazia Letizia, foi diagnosticada com anencefalia. Chiara e Enrico escolheram continuar a gravidez e o bebê, nascido em 10 de junho de 2009, morreu pouco mais de meia hora depois.



Após alguns dias, houve o funeral que foi vivido com a mesma paz que acompanhou os meses de espera pelo nascimento e que também contagiou muitos dos presentes, os quais viveram a graça de experimentar um pedaço da vida eterna.


Alguns meses depois, Chiara estava grávida de novo. Esta criança, a quem foi dado o nome de Davide Giovanni, foi diagnosticada com uma grave malformação visceral da pelve com ausência dos membros inferiores. Ele também morreu logo depois de nascer, em 24 de junho de 2010. E seu funeral também foi vivido como uma festa.



«No casamento – escreveu Chiara em suas anotações – o Senhor quis dar-nos filhos especiais: Maria Grazia Letizia e Davide Giovanni, mas nos pediu para acompanhá-los até o nascimento, nos permitiu abraçá-los, batizá-los e entregá-los às mãos do Pai com uma serenidade e uma alegria surpreendente».

Não havia ligação entre as patologias das duas crianças. Os resultados de testes genéticos, aos quais Chiara e Enrico se submeteram por causa da pressão de amigos e parentes, provaram isso; mas houve, acima de tudo, o fato de que o terceiro filho do casal, Francesco, nasceu completamente saudável. De fato, a nova gravidez chegou logo após o nascimento no céu de Davide Giovanni. Uma semana depois de descobrir que estava grávida, Chiara percebeu, no entanto, uma lesão na língua.


Com a suspeita bem fundamentada de que se tratasse de um tumor, em 16 de março de 2011, Chiara enfrentou, durante a gravidez, a primeira das duas fases de uma operação para remover a massa da língua. Essa foi muito dolorosa, pois para não afeta a criança ela recusou a anestesia geral, tomando apenas uma local. Para a segunda fase, teria sido necessário esperar que Francesco nascesse. Tendo constatado que se tratava de um carcinoma da língua, que ela chamou de dragão, Chiara optou por adiar o tratamento para não ferir a criança que carregava no ventre. Pelo contrário, ela escolheu os médicos que iriam segui-la, de acordo com o tempo que eles entendiam dar-lhe a mais, antes de dar à luz. Esperou até que foi possível esperar e também além disso.


«Para a maioria dos médicos, – Chiara escreveu – Francesco era apenas um feto de sete meses. E quem deveria ser salvo era eu. Mas não tinha intenção de arriscar a vida de Francesco por causa de estatísticas por nada certas que queriam me mostrar que eu tinha que dar à luz meu filho prematuro para que eu pudesse operar-me».

Francesco Petrillo nasceu em 30 de maio de 2011. Finalmente, dia 3 de junho, com a mesma hospitalização do parto, Chiara enfrentou a segunda fase da cirurgia iniciada em março. Tendo voltado para casa, ela começou, o mais cedo possível, a quimioterapia e radioterapia, apesar disso, o tumor se estendeu aos linfonodos, pulmões, fígado e até mesmo ao olho direito, que Chiara cobriu com uma bandagem para limitar as dificuldades visuais.


A foto de Chiara sorrindo com a bandagem é extraordinária, considerando que foi tirada em abril de 2012: pouco mais de dez dias antes, ela havia descoberto que era uma paciente terminal. Nas semanas seguintes, passadas com o marido num lugar longe da cidade, na casa da família, perto da praia, Chiara se preparou para o encontro com o Esposo. Sustentados pelos sacramentos administrados diariamente pelo Padre Vito, que compartilhou com eles esse tempo intenso, Chiara e Enrico fortaleceram-se na fidelidade de Deus, que sempre os acompanhou com uma alegria misteriosa.



Chiara morreu ao meio-dia de 13 de junho de 2012, depois de ter cumprimentado a todos, parentes e amigos, um por um. Depois de ter dito a todos “Quero-lhe bem”. Seu funeral foi celebrado em Roma no dia 16 de junho de 2012 na igreja de Santa Francesca Romana no Ardeatino. Participaram muitas pessoas. O cardeal Agostino Vallini, presente na celebração, declarou: “o que Deus preparou através dela é algo que não podemos perder”. Como o funeral de seus dois filhos, essa celebração também se tornou um testemunho cristão do início de uma nova vida.


Em 2 de julho de 2018, a Diocese de Roma publicou o "Édito em que ele anuncia a abertura da causa de beatificação e canonização de Chiara Corbella, que assim se tornou a Serva de Deus. Em 21 de setembro de 2018 abriu oficialmente a causa de beatificação, iniciando o processo, que foi presidida pelo Cardeal Vigário de Roma Angelo De Donati na Basílica de São João de Latrão e não no Salão de Conciliação onde geralmente ocorre este rito devido ao influxo de pessoas que participarão dele.




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