Ele está no meio de nós: a Liturgia como memória, presença e louvor.

Atualizado: 13 de Abr de 2020



Muitas mensagens têm circulado nas redes sociais sobre os fatos celebrados nestes dias de semana santa. Elas relatam a sequência dos eventos ocorridos com Jesus, seus discípulos e seus interlocutores em geral, naqueles que seriam os últimos dias de sua vida pública, após seu ministério na Palestina do século I. No entanto, em quase todas elas, este grande mistério do amor de Deus, manifestado definitivamente pela perfeita obediência do Cristo e de sua obstinada entrega na cruz, quando ele nos amou e por nós se entregou (cf. Gl 2,20), tem sido reduzido à uma mera lembrança subjetiva.


Interpretado desta forma, reducionista e sem qualquer vínculo com o presente de nossas vidas, torna-se, portanto, algo incapaz de transformar a nossa história e sem poder para nos salvar. É fato que o culto na Igreja surgiu para fazer memória da Páscoa de Cristo e que este mistério de fé é celebrado, em cada uma de suas facetas (sem deixar de estar inteiro em cada uma delas) no decorrer dos diferentes Tempos do Ano. Todavia, pela celebração da Liturgia, considerada "como o exercício da função sacerdotal de Cristo" (cf. SC 7) e "onde se opera o fruto da nossa Redenção" (cf. SC 2), aqueles eventos já ocorridos e dos quais estamos fazendo memória são, agora, de modo operativo, atualizados pela ação do Espírito Santo, para o louvor de Deus e para a nossa salvação.


Nosso culto é, assim, celebração e presença do Mistério Pascal de Cristo de um modo tal que, pela celebração, o cristão faz a memória do Senhor, num rito que o torna presente a ele e aos seus mistérios, e entrando em comunhão com Cristo, pode oferecer ao Pai aquele perfeito culto interior, profetizado por Jesus à mulher samaritana (cf. Jo 4,23).

Isto é possível apenas, porque, "na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente o seu mistério pascal. Durante a sua vida terrena, Jesus anunciava pelo seu ensino e antecipava pelos seus atos o seu mistério pascal. Uma vez chegada a sua "Hora" (cf. Jo 13, 1; 17, 1), Jesus vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-Se à direita do Pai "uma vez por todas" (Rm 6, 10; Heb 7, 27; 9, 12).


É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado. Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que pela sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida" (CIC 1085).

Celebrar a Liturgia, portanto, para além da mera reflexão, recordação ou lembrança subjetiva, é tornar presente o Mistério de Cristo, sucedido de uma vez para sempre. Nela, não repetimos os fatos passados, antes, estes voltam a estar presentes. E esta é uma presença real!

Celebrar a Liturgia, deve-se dizer também, é invocar o Espírito Santo, como fruto da oração sacerdotal de Jesus (cf. Jo 14, 16), dirigida ao Pai! Enfim, celebrar a Liturgia é, não podemos nos esquecer jamais, louvor, culto, adoração, reconhecimento e ação de graças a Deus, pois toda a celebração é uma ação pela qual se glorifica o Pai por Jesus Cristo no Espírito Santo. Nela, de fato, Deus que vem ao encontro do homem e derrama as suas graças e o crente, por sua vez, responde com a adoração, o louvor e a ação de graças.


"A Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força" (cf. SC 10). Uma vez compreendida esta realidade, nos tornamos capazes de reconhecer que, de fato, "Ele está no meio de nós!"
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