A perfeita renovação das promessas batismais

Atualizado: 8 de Nov de 2019



Pelo Batismo nos tornamos filhos de Deus, recebemos a graça de participar da vida divina. Antes éramos apenas criaturas, escravas do pecado e, consequentemente, abandonados ao poder das trevas. No Batismo, pela nossa própria boca ou pela boca dos nossos pais e padrinhos, renunciamos a Satanás e a todas as suas obras, e tomamos Jesus como nosso soberano Senhor. Ou seja, somos a ele consagrados, a Ele pertencemos totalmente. Para ser mais radical quero, aqui, usar o termo escravo para falar desta pertença a Jesus. Muitos veem esse termo como algo negativo, onde se perde a liberdade. No caso, aqui, não é isso. Essa escravidão é libertadora, pois é fruto de nossa vontade de pertencer inteiramente a Deus, que nos criou e que sabe o que é melhor para nós.


Infelizmente, por causa de nossa carne corrompida pelo pecado, com muita facilidade esquecemos nossas promessas feitas no Batismo, ou seja, nosso comprometimento de pertencer inteiramente a Deus, e é este o motivo pelo qual muitos se perdem. Por isso a Santa Igreja nos recomenda vivamente a renovação dos votos feitos no Batismo.


Essa renovação pode se dá de diversas formas, e para isso há vários modelos de oração para fazer fazê-la. Aqui, quero apresentar um, de um modo muito especial, pois se trata do mais perfeito de todos.


A mais perfeita forma de renovação das promessas batismais é através da devoção a Santíssima Virgem Maria. Pois foi por meio dela que Jesus veio ao mundo e é por meio dela que Ele quer santificar as almas. Ninguém melhor do que Maria soube amar e servir a Deus, pois se dedicou inteiramente a Ele na qualidade de escrava (cf. Lc 1, 38). Não há dúvidas de que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (cf. I Tm 2, 5), e o único que pode nos redimir, pois é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Também não se pode colocar dúvidas ao dizer que foi em Maria que esta união da divindade com a humanidade aconteceu. Logo ninguém melhor do que Ela está ligada ao Corpo de Cristo, que é a Igreja (cf. I Cor 12, 27). Por isso, podemos dizer que Cristo é o nosso medianeiro de redenção e Maria, nossa medianeira de intercessão (cf. TVD n. 86).


A Virgem Maria é digna de ser imitada, pois é o modelo de cristã perfeita. Tendo em vista que encontrou graça diante de Deus (cf. Lc 1, 30) e que foi quem melhor soube fazer a vontade de Deus, e também nos ensinou quando disse "fazei tudo que Ele vos disser!" (Jo 2, 5). Ela deve ser imitada, de um modo muito especial, em sua fé, humildade e pureza.


E tendo em vista que o fim último de todas as nossas devoções deve ser Jesus Cristo, a perfeita devoção a Nossa Senhora é aquela na qual nos consagramos inteiramente a Jesus por meio de Sua Mãe Santíssima.


A mais perfeita devoção é aquela pela qual nos conformamos, unimos e consagramos mais perfeitamente a Jesus Cristo, pois toda a nossa perfeição consiste em sermos conformados, unidos e consagrados a Ele. (TVD n. 120).

Podemos dizer que essa perfeita devoção foi instituída pelo próprio Cristo, quando na cruz entregou sua Mãe ao discípulo amado, João, e nele a todos nós seus discípulos amados. E o entregou à sua Maria para fosse sua Senhora, sua Mestra, sua protetora, sua Rainha... (cf. Jo 19, 26-27). E desde então o "discípulo" a acolheu em sua casa, e nós assim o devemos fazer, acolhê-la como nossa querida Mãe.


Essa perfeita devoção foi melhor compreendida quando São Luís Maria Grignion de Montfort escreveu o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Não foi criada por ele, como alguns pensam, mas é tão antiga que não se pode dizer com precisão seu início, estando presente em autores antigos, padres e concílios. (cf. TVD nn. 131 e 159).


Essa devoção, que é a prontidão para fazer a vontade de Deus através de Maria, consiste em uma perfeita renovação das promessas feitas no Batismo, e uma total consagração a Jesus e a Maria, ou, podemos dizer, a Jesus por meio de Maria, dando tudo que temos e somos.


Vale lembrar que a nossa vocação é à santidade, para isso fomos feitos. E por isso precisamos empenhar todas as forças para este fim. E para ser santo não se pode faltar a oração contínua, as mortificações e penitências, a humildade, a entrega à divina providência e a conformação à vontade de Deus. Essa deve ser a nossa ascese, ou seja, o nosso esforço. Mas não é possível chegar à santidade sem o socorro de Deus, ou seja, sem a graça de Deus.


Jesus, verdadeiro Deus, veio ao mundo por meio da Virgem Maria, é através dela que a Salvação chega a nós, e na ordem da graça Ele no-la deu como Mãe. É por isso que, como diz São Luís Maria, para encontrar a graça de Deus, é necessário encontrar a Virgem Maria. Ela é o caminho mais fácil e seguro para chegar a Deus e sermos o que Deus nos criou para ser: santos como Ele é santo (cf. Mt 5, 48).


Por isso não devemos ter medo da nos entregarmos todo a esta boa Mãe, a fim de por Ela pertencermos inteiramente a Jesus. É preciso entregar tudo: nosso corpo com todos os sentidos, nossa alma com todas as suas potências, nossos bens exteriores: casa, tudo que for material, o que chamamos de fortuna, e tudo mais que o tivermos (...), e nossos bens interiores: virtudes méritos, boas obras (...). Resumindo, precisamos dar a Ela todos os nossos bens na ordem da natureza e na ordem da graça. Lembrando que, se estivermos em estado de graça, todas as nossas boas ações, como, por exemplo, as orações e as obras de misericórdia, tem um valor satisfatório e meritório. Ou seja, um valor de reparação pelos nossos pecados e um valor que nos faz merecer a graça e a Vida Eterna. Até isso damos a Virgem por meio desta devoção, para que a divina providência favoreça os mais necessitados pecadores.


Essa devoção também consiste em quatro palavras: fazer todas as ações com Maria, em Maria, por Maria e para Maria, para, de um modo mais perfeito, tudo fazer com Jesus, em Jesus, por Jesus e para Jesus (cf. TVD n. 257).

E assim teremos como fruto: a vida de Maria em nossa alma. Explico: a vida de Maria consiste em uma vida totalmente voltada para Deus, e deixar que Ela viva em nós significa agir com seu espírito para que a vontade de Deus seja feita. E deixar que Ela, Árvore da Vida, produza em nós o Fruto da Vida, Jesus Cristo. Para assim dizermos, como São Paulo "é Cristo vivem em mim" (cf. Gl 2, 20). Pois ninguém melhor que Ela pode dizer as palavras do Apóstolo: "meus filhos, por voz eu sofro de novo as dores do parto, até Cristo ser formado em voz" (Gl 4, 19).


Se, de fato, estamos dispostos a ser o que Deus quer de nós, cumprindo fielmente as promessas do nosso batismo, o segredo é Maria. Aquela que é bendita entre todas a mulheres nos ajudará (cf. Lc 1, 42).





Referência


São Luís M.ª G. de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. 39.ª ed., Petrópolis: Vozes, 2009.

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