A REALEZA DE CRISTO É A VIDA DA PESSOA HUMANA



"A Glória de Deus é a vida do ser humano". Muito oportuna a recordação desse ensinamento de Santo Irineu no contexto da celebração da Solenidade de Cristo Rei: apenas quando se promove a vida é que a realeza divina se presencializa; apenas quando há o empenho pela superação das diferenças e desigualdades é que o Reino de Deus, eixo em torno do qual orbitava a existência de Jesus, torna explícita a sua força; apenas quando forem eliminados todos sinais de morte, nutridos pela lógica da oposição/exclusão e encarnados em todos os que sofrem por qualquer tipo de violência, é que convictamente se pode bradar viva Cristo Rei.

O anúncio cristão tem o seu lugar na vida.

O Evangelho deste domingo (Mt 25,31-46) é de um profetismo revolucionário. Recorda que o anúncio cristão nunca é puramente doutrinal, mas tem o seu lugar na vida. Atesta, aliás, que se deve conservar tal união, se não se quer abrir espaços para a morte do culto divino, pois se o culto cristão se funda na vida e morte real de Jesus, nunca nos devemos esquecer que ele se orienta para além de tudo que é meramente litúrgico. Anunciamos a sua morte, proclamamos a sua ressurreição e aguardamos sua vinda, assumindo como sendo nosso o seu estilo de vida próprio. Foi ele mesmo o primeiro a ingressar no Reino que anunciou. Foi ele próprio quem antes de todos glorificou a Deus com suas escolhas. Foi ele, enfim, quem apontou e realizou o culto verdadeiro pelo cuidado e libertação da pessoa humana.

O culto cristão se chama ágape; a ele pertence a descoberta de Jesus naqueles que sofrem neste mundo tão realmente como sinais de pão e vinho.

A proclamação da realeza de Cristo, concebida de um modo que se pretenda autenticamente cristão, não se pode celebrar 'apenas por meio de ritos'. Ao contrário: "a sua lembrança é o impulso para evitar o esquecimento e para reconhecê-lo naqueles nos quais sofre. O culto cristão se chama 'ágape'; a ele pertence a descoberta de Jesus naqueles que sofrem neste mundo tão realmente como sinais de pão e vinho" (RATZINGER, J. Dogma e Anúncio, p. 50). É, pois, por isso, que nos convencermos que todos somos necessitados de mudarmos nossa mentalidade e precisamos de conversão, denunciar que, no Brasil, o racismo existe e mata e que a cultura indígena tem sido sistematicamente apagada, dizer que os pobres aqui são marginalizados e que as mulheres tem sido violentadas e diminuídas, afirmar que a vida tem sido ferida em sua dignidade, desde o ventre até os leitos de hospital e defender, enfim, todos os que sofrem por preconceito seja ele qual for, traduz o símbolo e a força da nossa fé.


Saudemos, pois, Cristo como nosso rei. Mas, não nos esqueçamos jamais de servir a todos aos quais ele mesmo serviu e a nos solidarizarmos com todos os que ele mesmo se identificou.

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