A “lava jato” da Globo; uma estratégia de queima de reputação para venda de jornais

Atualizado: 13 de Abr de 2020


No barracão dos Marinho, montou-se mais um circo midiático depois que, en passant, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, declarou: “Não tenho dúvida de que deve ter havido esquema de propina com a O.S. da Igreja Católica, da Pró-Saúde (...) O dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. Tinha o dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o Sérgio Côrtes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital São Francisco. Essa Pró-Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia religiosos.”. Numa conversa desconexa, o já condenado a quase 200 anos de prisão tenta, de forma desesperada, com seu “achômetro”, aliviar alguns anos de sua sentença fazendo mais uma delação, e nesta, inclui o nome do Cardeal do Rio. Assistindo todo o depoimento, não se vê qualquer menção de nenhuma ligação entre o Arcebispo e o esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Há apenas uma sugestão de que a Igreja tivesse algum envolvimento por conta de seu trabalho junto a Pró-Saúde. No conjunto, pelo que foi apresentado, a citação do nome do cardeal é desnecessária.


Obviamente, é um prato cheio para qualquer veículo de comunicação uma matéria que mostre qualquer possível ligação de uma figura pública, moralmente conhecida pela sua retidão, com um esquema de corrupção. É uma manchete que vende muito, principalmente quando a notícia está ligada à Igreja Católica. O problema não está em publicar, mas na forma de como se publica. Podiam muito bem esclarecer os fatos e mostrar a verdade, mas infelizmente não foi assim que aconteceu.


Abruptamente, o nome de dom Orani toma os títulos das reportagens, estando apenas em segundo plano os verdadeiros acusados. Os jornalistas não focam em Sergio Cabral (ele não é mais importante) ou em Wagner Augusto Portugal, outro réu confesso, mas usam o termo ex-padre ou braço direito do Cardeal como uma forma de associar nomes e gerar confusão na cabeça dos leitores. É só fazer uma breve busca pelos meios de comunicação, que se encontra uma enxurrada de matérias que de todo modo destrincham várias páginas sobre uma acusação que tem por base uma breve declaração de um condenado, sem qualquer prova ou ligação. Algumas dessas matérias são irrisórias, como a do jornal Correio do Brasil, que foi feita por um correspondente de Roma sem nome dizendo: “segundo fonte interna, a Congregação para a Doutrina da Fé está acompanhando de perto a acusação a dom Orani”. O nível de despreparo de um veículo de comunicação que publica algo desse tipo é perturbador. Primeiro, porque, no vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé não investiga este tipo de matéria e, segundo, não há sequer nenhuma acusação contra dom Orani.


Foi a partir de três matérias publicadas pelo grupo Globo que, intencionalmente, a Igreja Católica e o Cardeal do Rio entraram na lava jato sem sequer serem acusados ou serem alvos de investigação alguma. Começaram com um trecho da delação de Sérgio Cabral, que citava de forma desconexa o nome de dom Orani, e dali em diante criaram uma ponte imaginária que o coloca ligado a tudo. Na primeira matéria, a revista Época diz que o ex governador delatou a Arquidiocese; na segunda, fala de um passado inglório da Igreja no Rio; e na terceira, traz na capa da revista o nome do cardeal associado com um ex-padre. A má fé de quem produz este tipo de desinformação é como uma navalha que corta reputações de forma inconsequente e irresponsável. Esta estratégia de associar nomes atinge boa parte do público pouco esclarecido que costuma ler apenas títulos e acreditar no que lê.


É vergonhosa esta forma de fazer jornalismo que impera no Brasil e que, infelizmente, ainda ganha muita audiência. Os jornais não noticiam, mas criam notícia. As suas especulações, depois de publicadas, seguem-se como uma reação em cadeia para o restante da imprensa, numa sincronia de produção de falsidades que se ocupa em prejudicar a honra, a dignidade e a imagem de suas vítimas. Parece uma guerra; e como diz a frase atribuída ao dramaturgo Ésquilo: “na guerra, a verdade é a primeira vítima”.


A forma como as coisas são colocadas nada mais é que uma tentativa de destruir a força política que líderes, principalmente religiosos, têm em meio ao povo e, neste engajamento, a corrupção é um apelo. Cada palavra que possa associar uma figura pública à corrupção, ganha holofotes da cobertura. Mas existe um lado dessas pessoas que não é coberto: a sua dignidade, a sua imagem e a sua palavra. Por trás dessas histórias, há sempre alguém que paga: por um lado, o sujeito da audiência, aquele que compra os jornais, as revistas e fica em frente à televisão consumindo as “informações”; e por outro, o interessado no produto criado. Quem será?

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