A CIRCUNCISÃO REFLETE O CALVÁRIO

"Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno."

(Lc 2, 21)



A circuncisão no Antigo Testamento era uma prefiguração do batismo no Novo Testamento. Ambos simbolizam uma renúncia da carne e seus pecados. A primeira era feita por uma ferida no corpo; o segundo, por uma limpeza da alma. A primeira incorporava a criança ao povo de Israel; o segundo incorporava a criança ao povo da nova Israel ou a Igreja. O termo "circuncisão" foi usado posteriormente nas Escrituras para revelar o significado espiritual de aplicar a Cruz à carne por meio da autodisciplina.

[...] Ao submeter-se a esse rito, pelo qual não precisava ter passado, pois não tinha pecado, o Filho de Deus cumpriu as exigências de sua nação, assim como estava guardando todas as outras regras hebraicas.

Ele guardava a Páscoa; guardava o sábado; ia às celebrações; obedeceu a lei, até que chegou o momento em que cumpriria ao realizar e espiritualizar suas prefigurações obscuras da dispensação de Deus.

Na circuncisão do Menino Deus havia uma sugestão obscura e uma alusão ao Calvário, no derramamento precoce do sangue. A sombra da Cruz já estava pairando sobre um menino de oito dias de idade. Ele teria sete derramamentos de sangue dos quais este foi o primeiro; os seguintes foram: a agonia no jardim, a flagelação, a coroa de espinhos, o caminho da Cruz, a crucifixão e a perfuração lateral de Seu corpo. Mas, onde quer que houvesse uma indicação do Calvário, haveria também algum sinal da glória; e foi no momento em que participava do Calvário ao derramar Seu sangue que lhe foi concedido o nome de Jesus.

Um menino de apenas oito dias já estava começando o derramamento de sangue que cumpriria Sua perfeita humanidade. O berço estava tingido de carmesin, uma marca do Calvário.

[...] Houve pecado no sangue humano, e agora o sangue já estava sendo derramado para eliminar o pecado. Assim como o Oriente contempla no pôr do sol as cores do Ocidente, também a circuncisão reflete o Calvário.

Ele havia de começar a redimir tudo de uma vez? A Cruz não podia esperar? Haverá muito tempo para ela. Vindo diretamente dos braços do Pai para os de Sua mãe terrena, ele é carregado nos braços dela até seu primeiro calvário. Muitos anos depois, ele será tomado dos braços dela mais uma vez, depois das lesões da carne na Cruz, quando a obra do Pai é consumada.

Quando o Menino Deus foi levado ao templo por Maria, a lei da consagração do primogênito foi observada em sua plenitude, pois a dedicação da criança ao Pai foi absoluta, e O levaria à Cruz. Há aqui outro exemplo de como Deus em forma humana partilhava a pobreza da humanidade. As tradicionais ofertas de purificação eram um cordeiro e uma rola se os pais fossem ricos; e um par de rolas ou dois pombinhos, se fossem pobres.

A mãe que trouxe o Cordeiro de Deus ao mundo não tinha um cordeiro para oferecer - exceto o próprio Cordeiro de Deus.

Deus foi apresentado no templo com quarenta dias de idade. Cerca de trinta anos mais tarde, Ele reivindicaria o templo e o usaria como símbolo de Seu corpo em que habitava a plenitude da divindade. Aqui não era só o primogênito de Maria que era apresentado, mas o do Pai Eterno. Como o único gerado do Pai, era agora apresentado como o primogênito de uma humanidade restaurada. Uma nova raça começou nele. O bebê veio para morrer, não para viver, pois seu nome era "Salvador".

(Fragmentos do livro: Vida de Cristo, Vol. I. de Fulton Sheen)

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